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Glúten e emagrecimento: o que é mito e o que é verdade nessa relação

Nos últimos tempos, não são só os celíacos que andam preocupados com o glúten. A palavra virou trend entre as pessoas que buscam emagrecer ou criar hábitos de alimentação saudáveis. Mas será que toda a preocupação com a proteína é justificada? Entenda mais sobre o glúten e desvende algumas inverdades ligadas a ele.

O glúten é uma proteína presente em alimentos com trigo, centeio, cevada, aveia ou malte e confere a viscosidade aos alimentos – ou seja, sua elasticidade, contribuindo para a maciez. A palavra tem origem latina e significa “cola” – isso não quer dizer, porém, que ele realmente vire uma espécie de cola no intestino e que isso o faça demorar mais tempo para ser digerido. Pelo contrário, em relação à proteína animal, por exemplo, um prato de macarrão leva menos tempo para a digestão do que carnes.

Segundo o cientista de alimentos da Unicamp, Jaime Amaya Farfan, o glúten não é fundamental para a dieta humana. O alimento pode ser cortado, pois não apresenta nenhum benefício específico à alimentação ou saúde. Entretanto, é necessário ficar atento ao eliminar esses alimentos, que também são fontes de carboidratos, porque podem ocasionar em desiquilíbrio alimentar.

Não há uma razão para eliminar o glúten, caso você não seja celíaco

Entenda: “Cerca de 40% dos celíacos que deveriam abandonar completamente o glúten não conseguem, então, a chance de alguém que não tem necessidade de cortar a proteína da dieta obter sucesso é mínima”, informa Vera Lucia Sdepanian, professora de gastropediatria da Unifesp. Além de uma tarefa árdua e que exclui as principais fontes de carboidratos da alimentação, a retirada do glúten não significa emagrecimento – como você entenderá em seguida.

Não há evidências de que o glúten esteja relacionado à obesidade

Sim, o glúten está presente em carboidratos. E, sim, carboidratos tendem a ser altamente calóricos. Já falamos sobre o prejuízo de retirar tais alimentos da dieta. Porém, a substituição para alimentos gluten free também não significa emagrecimento, pois eles podem ser tão ou mais calóricos que os alimentos cortados. Um estudo publicado em 2006 pelo American Journal of Gastroenterologyacompanhou 188 pessoas que sofriam com doença celíaca e metade delas estava ou acima do peso ou obesa. Após serem submetidas a uma dieta sem glúten no período de dois anos, 81% apresentou ganho de peso.
Outro argumento que se usa para justificar a relação do glúten com emagrecimento é o de que a proteína diminui a produção de hormônios relacionados à saciedade. Todavia, não há bases para sustentar tal argumento. Jaime Amaya Farfan afirma não haver evidências de que o glúten, especificamente, aumente ou diminua a produção de hormônios ou neurotransmissores: “Quando comemos um carboidrato, com ou sem glúten, nosso organismo libera enzimas para quebrar o alimento e esse processo também promove a liberação de substâncias”.
Por fim, a opinião dos especialistas é unânime. O emagrecimento que simplesmente exclui enzimas, como no caso do carboidrato, acaba gerando carências. Não é seguro, portanto, sair cortando todo o glúten da alimentação sem pensar nas consequências. O melhor, quando o assunto é emagrecer, é a reeducação alimentar, prática de exercícios e acompanhamento de um profissional médico.